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Artigo de opinião – Desafios atuais na avaliação educacional: entre a multiculturalidade, o mundo digital e a inteligência artificial

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Artigo de opinião – Desafios atuais na avaliação educacional: entre a multiculturalidade, o mundo digital e a inteligência artificial

Diana Pereira - Investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança ⠿ 17-06-2025 16:00

A avaliação das aprendizagens no ensino básico e secundário é um dos pilares fundamentais para a melhoria da qualidade educativa. No âmbito do projeto que coordeno “Avaliação no Ensino Básico e Secundário: práticas e conceções dos professores acerca da avaliação interna e externa nas escolas portuguesas”, desenvolvido no Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho, temos procurado compreender o modo como os professores e diretores de escolas e agrupamentos percecionam e operacionalizam as avaliações internas e externas, e de que modo estas influenciam as aprendizagens dos alunos. Os primeiros resultados apontam para uma diversidade significativa nas práticas avaliativas, refletindo as conceções variadas dos professores acerca do que é avaliar e para quê. Contudo, emerge um consenso quanto à importância de uma avaliação que seja simultaneamente formativa e inclusiva, capaz de respeitar as especificidades de cada contexto escolar. Num momento em que as escolas portuguesas enfrentam desafios como a crescente multiculturalidade e a integração de alunos migrantes, a avaliação revela-se uma ferramenta crítica para promover a equidade e o sucesso educativo. Os professores e os diretores reconhecem que as práticas de avaliação tradicionais, centradas sobretudo em testes padronizados, muitas vezes não alcançam as competências previstas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, sendo ainda mais problemático relativamente a alunos oriundos de diferentes contextos culturais. Além disso, o mundo digital e a inteligência artificial estão a transformar rapidamente o panorama educativo. Os docentes sentem a necessidade urgente de adaptar as suas estratégias de avaliação para integrar estas novas realidades, utilizando tecnologias que permitam uma avaliação mais personalizada e dinâmica. Contudo, este processo implica desafios significativos, nomeadamente a formação adequada dos professores na sua formação inicial e o desenvolvimento de ferramentas confiáveis e éticas. Perante estes contextos, a avaliação educacional não pode ser encarada apenas como um momento de verificação final, mas como um processo contínuo e reflexivo que promove aprendizagens significativas para todos os alunos, independentemente das suas origens ou das mudanças tecnológicas em curso. É fundamental que as políticas educativas e as práticas escolares acompanhem estas transformações, apoiando os professores com recursos, formação e uma visão clara do papel da avaliação no desenvolvimento integral dos alunos. Esta reflexão inscreve-se de forma clara nos debates que a Bienal de Educação 2025 promove, no âmbito das comemorações dos 50 anos do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Sob o mote “O Futuro é Educação. As Pessoas, a Vida e a Escola”, a Bienal propõe, entre outros, os eixos Pedagogia e Currículo e Avaliações em Educação, que dialogam diretamente com a nossa investigação. Vivemos um tempo em que a avaliação, outrora pensada como instrumento pedagógico ao serviço da aprendizagem, se tornou uma prática dominante, muitas vezes moldada por agendas políticas e lógicas de controlo. Esta transformação exige uma reflexão crítica sobre o seu real propósito e sobre o modo como tem vindo a regular não apenas os processos educativos, mas também as dinâmicas sociais mais amplas. Por isso mesmo, torna-se imperativo desconstruir as pedagogias implícitas nas formas dominantes de avaliação e pensar alternativas que valorizem o bem-estar dos alunos, o reconhecimento das suas diferenças e a sua aprendizagem significativa. A Bienal de Educação é, assim, uma oportunidade privilegiada para debater estas questões e colocar a avaliação no centro de uma discussão ampla, crítica e construtiva sobre o presente e o futuro da educação em Portugal.

Atualizado a 17-06-2025 16:00