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Investigador da UMinho distinguido com Prémio João Monjardino

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Investigador da UMinho distinguido com Prémio João Monjardino

Ana Marques ⠿ 21-09-2026 15:00

Marco Paschoalotto, da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, foi distinguido pelo estudo sobre a resiliência dos sistemas de saúde após a pandemia de Covid-19. O prémio, no valor de 10 mil euros, reconhece um trabalho com impacto na investigação e na análise de políticas de saúde.

Marco Paschoalotto, professor da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política (EEG) da Universidade do Minho, recebeu, no passado dia 18 de setembro, o Prémio João Monjardino 2025, atribuído pela Fundação Francisco Pulido Valente (FFPV) e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A distinção reconhece o artigo “Health systems resilience: is it time to revisit resilience after Covid-19?”, publicado na revista científica Social Science & Medicine.

Desenvolvido no Centro de Investigação em Ciência Política (CICP) da UMinho, em parceria com investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, e da Fundação Getúlio Vargas, no Brasil, o trabalho procura repensar o conceito de resiliência dos sistemas de saúde a partir das lições da pandemia. O ponto de partida foi a constatação de que alguns dos modelos e rankings existentes antes da Covid-19 não conseguiram explicar a resposta efetiva dos diferentes sistemas à crise.

“A preparação formal, muitas vezes, é diferente da resposta efetiva”, explicou Marco Paschoalotto. A equipa procurou, assim, analisar de que forma a tomada de decisão, a adaptação e a implementação influenciam a capacidade de resposta, recorrendo, além da revisão da literatura, a entrevistas com 26 especialistas de diferentes contextos.

O modelo proposto considera a preparação, a resposta ao choque, a recuperação e a aprendizagem como processos interligados, e não como etapas estanques. A tecnologia e a informação assumem um papel transversal, articuladas com o contexto, a comunicação e a participação social. Uma das preocupações foi ainda garantir que o modelo pudesse ser aplicado a diferentes realidades e não apenas a sistemas de saúde de países de rendimento elevado.

O investigador sublinhou que o trabalho ultrapassou, entretanto, o âmbito académico. O artigo conta já com mais de 100 citações e o modelo foi utilizado na análise da resposta a crises em diferentes países. Marco Paschoalotto destacou, nomeadamente, um processo desenvolvido no Brasil, em que um relatório que recorreu ao modelo serviu posteriormente de base a uma nota técnica do Ministério da Saúde para analisar a resposta a uma crise provocada por chuvas.

“O que eu quero ver é um novo programa, uma nova nota técnica, ou algo sendo produzido a partir daquilo que eu fiz”, afirmou, defendendo que a investigação em políticas de saúde deve produzir impacto também na prática.

O presidente da FFPV, Rui Pulido Valente, destacou o significado particular desta edição, dedicada à Saúde Pública, considerando que o prémio assume este ano uma “transversalidade no conhecimento”, ao “ligar a economia à saúde e [...] às políticas públicas”. A nova área temática do galardão abrange questões como a organização dos sistemas de saúde, políticas públicas, prevenção da doença e promoção da saúde.

O vice-reitor para a Investigação da UMinho, António Salgado, considerou o trabalho um “excelente exemplo de como a investigação pode contribuir, simultaneamente, para o avanço do conhecimento e para a análise de problemas com consequências muito concretas na vida das pessoas, nas políticas públicas e na organização dos nossos sistemas de saúde”. Destacou ainda a importância dos prémios científicos no reconhecimento da excelência dos jovens investigadores e a necessidade de abordar os grandes problemas contemporâneos de forma inter e multidisciplinar.

Também a presidente da FCT, Madalena Alves, sublinhou a importância de aproximar a investigação da sociedade, defendendo que a avaliação científica não deve ficar limitada ao número de artigos publicados. “Confiem na ciência, porque é a ciência que faz mudar o mundo”, afirmou, salientando o contributo da investigação para a saúde, o bem-estar, a indústria e a criação de riqueza.

O Prémio João Monjardino, no valor de 10 mil euros, distingue anualmente o melhor artigo científico de um investigador com menos de 35 anos integrado numa instituição do Sistema Científico e Tecnológico Nacional. A avaliação considera, entre outros critérios, a qualidade científica, a relevância da questão investigada, o impacto dos resultados e o contributo do candidato para a investigação publicada.

A cerimónia incluiu ainda o painel “O SNS perante crises: lições sobre resiliência, adaptação e futuro”, com André Peralta, Manuel Pizarro e Margarida Tavares, e a assinatura de um protocolo entre a FFPV e a Sociedade Portuguesa de Saúde Pública.

Atualizado a 21-09-2026 15:00