PERCURSOS… Rui Araújo
Ana Marques ⠿ 11-12-2025 18:00
Rui Araújo vive em Braga há 50 anos. Desempenha funções nos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (SASUM) há 26 anos. Atualmente, integra o Departamento de Apoio Social (DAS), uma equipa com cerca de 50 trabalhadores. Nesta entrevista, o trabalhador, adstrito ao DAS, fala-nos do seu percurso de vida e da sua experiência profissional, partilha como vive o dia a dia nos SASUM, afirmando sentir-se “feliz” no que faz.
Quem é o Rui Araújo?
Tenho 50 anos, nasci, cresci e vivo em Braga. Concluí o 9.º ano de escolaridade, sou casado e tenho uma filha.
Desde que chegou à Universidade do Minho, os SASUM têm sido a sua casa profissional. Como começou esta jornada?
Entrei na Universidade através de uma empresa de segurança. Na altura, o serviço de receção era assegurado por essa empresa, onde trabalhei quatro anos. Mais tarde, fomos informados de que o contrato iria terminar e perguntaram-nos se estaríamos interessados em manter as funções, integrando diretamente os SASUM. Aceitei, porque gostava muito do trabalho e me sentia bem aqui. Pesou também a perspetiva de estabilidade profissional. Curiosamente, até passámos a ganhar menos, mas os benefícios e a segurança justificaram a mudança.
Há quantos anos integra a equipa dos SASUM?
Estou nos SASUM desde 1 de maio de 1999, há 26 anos.
Atualmente, quais são as suas funções no Departamento de Apoio Social?
A minha função tem sido sempre a mesma, como rececionista na portaria, mas o trabalho evoluiu bastante. No início, tudo era feito em papel; hoje é quase totalmente informatizado. Surgiram novas regras e procedimentos e o contexto também mudou: antes, sem telemóveis, a interação entre os residentes era maior, o contacto era mais direto e muitas situações resolviam-se simplesmente com diálogo. Hoje seguimos mais protocolos, o que tem vantagens, mas a vivência era diferente.
Quais são as suas principais responsabilidades no dia a dia?
Na receção, a prioridade é estar atento aos alunos. O horário condiciona muito a rotina — esta semana, por exemplo, estou das 8h às 16h, o que implica lidar com empresas externas, controlar entradas de pessoas e bens e acompanhar a movimentação dos estudantes. Eles podem entrar 24 horas por dia, mas as visitas têm regras próprias.
Somos um pouco “faz tudo”: articulamos com as funcionárias dos andares, com o setor do alojamento, tratamos das entradas e saídas de residentes e asseguramos a ligação entre diferentes serviços. Há períodos mais exigentes, como o início e o final do ano letivo. Somos também a primeira imagem dos SASUM para muitos alunos e famílias. É importante transmitir segurança, profissionalismo e deixar os pais tranquilos quando chegam com os filhos.
O que considera mais desafiante na sua função?
O desafio é diário. A minha maior preocupação são os alunos: perceber se precisam de ajuda, identificar comportamentos diferentes e estar atento a sinais de que algo não está bem. O trabalho muda muito consoante o horário. A partir das 17h, grande parte dos funcionários já saiu e, depois das 21h, somos nós que asseguramos tudo.
Ao longo dos anos, que mudanças mais o marcaram?
Já trabalhei com quatro administradores: Dr. Armando Osório, Eng. Carlos Silva, Professor António Paisana e, atualmente, a Dra. Alexandra Seixas. A maior transformação foi, sem dúvida, a informatização do sistema das residências. Além disso, tem havido um grande investimento no bem-estar dos alunos: melhores infraestruturas, melhores condições de habitabilidade, mais organização e regras mais claras. As residências estão hoje mais seguras e mais confortáveis.
Como descreveria o impacto do trabalho desenvolvido no Departamento de Apoio Social, em particular nas residências universitárias?
O nosso objetivo é garantir o bem-estar dos estudantes, oferecendo-lhes um alojamento acessível e onde se sintam bem. Aqui têm praticamente tudo: quarto, internet, cantina, lavandaria, ginásio — é quase uma pequena cidade dentro da cidade, com ambiente académico e segurança permanente.
Também estamos atentos a sinais de dificuldades. Quando algo nos preocupa, encaminhamos os alunos para outras áreas de apoio dos SASUM, garantindo acompanhamento. Procuramos, assim, cumprir a missão de proporcionar as melhores condições de frequência, integração e vivência académica. Acredito que a maioria dos residentes é feliz aqui, cada um à sua maneira.
O que continua a motivá-lo, depois de tantos anos de dedicação?
O dia-a-dia, a responsabilidade, o gosto pelo que faço — que é meio caminho andado — e a vontade de ajudar os alunos. Eles mudam, os tempos mudam e nós temos de acompanhar, estar atentos e fazer sempre o melhor possível. Quero terminar cada dia com a consciência tranquila de que fiz o meu trabalho da melhor forma.
Há algum projeto ou momento especialmente marcante no seu trajeto nos SASUM?
Não tenho um momento específico. O que me orgulha é tentar fazer o meu melhor todos os dias. É isso que me guia desde o início.
E o futuro, como o imagina?
O futuro é sempre incerto. Só o facto de acordarmos com saúde já é uma bênção. Se surgir um novo desafio dentro dos SASUM, e se eu sentir que posso contribuir e desempenhar bem essa missão, aceitarei com toda a motivação. Estou feliz no que faço, mas, se aparecer um novo papel, darei o meu melhor.
Curiosidades
O que o marcou?
O nascimento da minha filha.
O que ainda não fez?
Algumas viagens em família. E um salto de avião, que me foi oferecido pela minha mulher e pela minha filha no último aniversário.
Ainda tem um grande sonho?
Ser feliz — pessoal e profissionalmente. Depois há pequenos sonhos: ver ao vivo uma prova de Fórmula 1 ou MotoGP com a minha filha, ou fazer a Nacional 2 com a minha mulher.
Filme?
Titanic.
Uma música e/ou um músico?
Gosto de vários estilos: rock, fado, música eletrónica. Desde U2, AC/DC, Amália, Carlos do Carmo, Marisa, Capitão Fausto… ouço um pouco de tudo.
O que gosta de fazer nos tempos livres?
Andar de mota e praticar desporto.
Hobby ou vício?
Desporto, no geral.
Um lugar?
O Gerês, pela natureza. E também o Sameiro e São Bento.
A Universidade do Minho?
Uma grande instituição que transformou a cidade em todos os aspetos.
Atualizado a 11-12-2025 19:00
