Residência Confiança reforça alojamento da UMinho com 786 novas camas
Ana Marques ⠿ 11-09-2026 17:00
A maior residência universitária do país financiada pelo PRR foi inaugurada em Braga. Investimento superior a 29 milhões de euros recupera a antiga Fábrica Confiança e permite quase duplicar a capacidade de alojamento da UMinho na cidade. A gestão da nova residência está a cargo dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho.
A Universidade do Minho ganhou 786 novas camas para alojamento estudantil com a inauguração, esta quinta-feira, 10 de setembro, da Residência Universitária Confiança, em Braga. A cerimónia contou com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, do presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, do reitor da UMinho, Pedro Arezes, da administradora dos Serviços de Ação Social (SASUM), Alexandra Seixas, do presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho), Luís Guedes, e do CEO do Grupo Casais, António Carlos Rodrigues, entre outras entidades.
Instalada na antiga Fábrica Confiança, na Rua Nova de Santa Cruz, a nova residência resulta da recuperação do edifício histórico e da construção de um novo edifício no logradouro, num investimento superior a 29 milhões de euros, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e intervenção do Município de Braga. A intervenção conjuga a preservação de um espaço emblemático da cidade com uma nova resposta às necessidades de alojamento dos estudantes do ensino superior.
Com a entrada em funcionamento da Confiança, a capacidade de alojamento da UMinho em Braga passa de 855 para 1631 camas. O reitor Pedro Arezes sublinhou que “o mais importante, como podem imaginar, não são as camas. São os estudantes que as vão ocupar”. Segundo o reitor, a UMinho tinha, em 2025/26, mais de 5200 estudantes bolseiros e cerca de 4200 estudantes deslocados, reforçando a importância do alojamento enquanto componente da política de acesso ao ensino superior.
“É por isso que é sempre importante relembrar que o alojamento deve ser visto como uma componente da própria política de acesso ao ensino superior”, afirmou Pedro Arezes, defendendo que a nova residência permitirá à Universidade enfrentar os próximos anos “com as melhores condições”.
A recuperação do complexo combina património e inovação. António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais, responsável pela concretização da obra, considerou que “a Residência Confiança é o reflexo perfeito do que acreditamos ser a construção do futuro”. “Mais do que requalificar um ícone de Braga, provámos que a industrialização e a inovação tecnológica são o caminho para dar uma resposta rápida e de excelência à urgência de alojamento”, afirmou.
No novo edifício foi implementado o sistema construtivo CREE, um modelo híbrido de madeira e betão, complementado por soluções de digitalização através de BIM e Digital Twin. A industrialização permitiu ainda produzir estruturas, fachadas e módulos sanitários em ambiente de fábrica. O projeto foi distinguido com o Prémio Nacional de Sustentabilidade do Jornal de Negócios 2026, na categoria “Cidades Sustentáveis”.
Para o presidente da Câmara Municipal de Braga, a intervenção traduz uma escolha estratégica da cidade. “Braga escolheu, escolheu recuperar este património, escolheu os estudantes, escolheu a Universidade, escolheu o conhecimento”, afirmou João Rodrigues, que destacou a complementaridade entre os dois edifícios: “De um lado, temos a memória. Do outro, o futuro.”
O autarca salientou ainda que as 786 camas representam uma resposta aos estudantes e contribuem para aliviar a pressão sobre o mercado habitacional. “O talento não escolhe famílias, não escolhe rendimentos, a ambição não escolhe geografias e uma boa cidade é aquela que tenta garantir que a falta de um quarto nunca vai decidir um limite”, afirmou.
Durante a cerimónia, João Rodrigues anunciou também que vai propor à Câmara Municipal que o novo edifício residencial passe a chamar-se Professor Sérgio Machado dos Santos, em homenagem a uma das figuras ligadas à construção e afirmação da UMinho e à atenção dedicada às condições de vida dos estudantes.
Também Luís Guedes destacou a dimensão histórica da nova residência. Recordando que as últimas residências da Universidade tinham sido construídas nos anos 80 e 90, o presidente da AAUMinho salientou que decorreram 28 anos sem aumento da capacidade instalada, enquanto a população estudantil da UMinho cresceu cerca de 47%.
Para o dirigente estudantil, as novas camas constituem “um passo no caminho certo” perante as dificuldades no acesso à habitação. “Estas 786 camas permitem regular o mercado local, resgatar estudantes de arrendamentos precários e condições indignas, elevar os padrões de qualidade e permitir que centenas de famílias não tenham que ver com o sonho universitário dos seus filhos a transformar-se numa miragem”, afirmou.
O ministro Fernando Alexandre enquadrou a Confiança no reforço nacional do alojamento estudantil promovido através do PRR, salientando que esta é “a maior residência universitária do país, com as 786 camas”. Para o governante, as residências devem ser também espaços de integração dos estudantes deslocados, independentemente da sua condição económica.
“Conseguir um lugar na Fábrica Confiança deve ser extraordinário, deve ser um dos melhores sítios para viver em Braga”, afirmou, defendendo que a qualidade da residência deve ser suficientemente atrativa para que os estudantes a procurem.
Com quartos individuais e duplos, estúdios e apartamentos com kitchenette, incluindo unidades adaptadas a pessoas com mobilidade reduzida, a Confiança dispõe ainda de salas de estudo, cozinhas, espaços de refeições, lavandaria e áreas de convívio.
Para Pedro Arezes, a residência deverá afirmar-se como mais do que um equipamento de alojamento. “Queremos, por isso, que a Confiança seja uma boa residência naturalmente, mas queremos também que seja um bom lugar para viver. Que tenha condições para estudar, para descansar, para conviver e que os estudantes sintam que este é um espaço que também lhes pertence.”
A antiga Fábrica Confiança inicia, assim, uma nova etapa ao serviço das novas gerações. Como sintetizou Luís Guedes, “estamos hoje a inaugurar instalações, mas principalmente a permitir futuros, a semear percursos”.
Atualizado a 11-09-2026 17:00
